Fashion is Spinach: uma crítica à moda

Vou ser madrinha em dois casamentos ainda em 2017. Enquanto eu procurava ideias de vestidos para as duas ocasiões, encontrei um modelo lindo da estilista de alta-costura Elizabeth Hawes. Eu nunca tinha ouvido esse nome e isso despertou minha curiosidade. Em uma pesquisa rápida aprendi um pouquinho sobre ela, vi mais fotos de vestidos lindos e descobri que ela escreveu um livro chamado Fashion is Spinach: How to beat the fashion Racket.

Olha só essa lindeza criada em 1936!

Além de estilista, Elizabeth escreveu para jornais e revistas, incluindo a New Yorker, quando morava em Paris. Ela também escreveu outros livros, mas desses não posso falar porque não li (e não sei se vou ler).

Fashion is Spinach, que não tem versão em português, é uma história bem detalhada da trajetória da estilista, contando como começou a trabalhar cortando e costurando roupas infantis, passando pelas casas de cópias alta-costura de Paris e depois o desenvolvimento do nome dela como estilista nos Estados Unidos. Confesso que a premissa me atrai muito, principalmente por ser uma história real, mas a quantidade de detalhes é às vezes cansativa e sem graça.

Elizabeth Hawes e a capa original do livro Fashion is Spinach

 

O mais interessante é que, mesmo que a obra tenha sido publicada originalmente em 1938, as opiniões da estilista fazem muito sentido hoje. Elizabeth fala bastante sobre pontos delicados da moda, como essa história de desenvolver quatro coleções por ano era algo criado pela indústria americana sedenta pelos lucros da produção em massa, que precisava fazer e vender cada vez mais. Ela questionou lá no início o que temos questionado muito nos últimos anos: a ética da moda.

Hawes com certeza não foi a primeira mulher a pensar assim, mas possivelmente foi a primeira a defender que estilo é muito mais essencial do que seguir tendências. Sem falar que ela dizia que as mulheres tem que usar o que lhes favorece e o que faz sentido para o estilo de vida delas. Se não tem festa de gala para ir, não precisa de um vestido longo, certo?

Elizabeth também fala um pouquinho sobre o modo de trabalho de alguns nomes famosos, como Chanel, Lanvin, Poiret, Patou e outros costureiros da época. Essa parte do livro é como uma viagem no tempo e complementou muitas das histórias que ouvi quando estudei na França. De forma geral, ela contextualiza o setor de moda em vários momentos históricos, como os dois pós-guerra e a depressão nos Estados Unidos depois da quebra da bolsa. 

Aqui tem um artigo do New York Times bem completo sobre a vida e obra da autora. (em inglês)

Resumindo: o livro tem muitas informações bacanas e importantes, mas exige paciência em muitos momentos. Eu ia fazer alguma piadinha em relação a espinafre, mas eu gosto dessa folha de qualquer jeito. Então vou relacionar com brócolis: em geral é bem sem graça, mas de vez em quando aparece de uma forma interessante para o consumo.

Coma seu brócolis, querida.

* Quer ver mais vestidos bonitos? Dá uma olhada nesse board no Pinterest.

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