A vida na Europa

É claro que eu não quero voltar pro Brasil, mas isso eu já sabia antes de vir. E é apenas um sentimento momentâneo. Tenho certeza de que se eu morasse na Europa por mais tempo eu ia sentir falta de algumas coisas tupiniquins. A verdade é que a maioria das pessoas, ou pelo menos dos jovens, que viajam para qualquer país desenvolvido têm pelo menos uma pontinha de vontade de não voltar pra casa.

O que acontece é que ficamos comparando aqui e lá e muitos aspectos ruins do nosso país de origem ficam ainda mais exaltados. Um exemplo mais do que clássico: transporte. Em grande parte da Europa (e eu digo isso porque não conheço todos os lugares e não posso falar de vilarejos remotos) as cidades, os bairros e os países são conectados por trens, metrôs, ônibus, trams e, sim, aviões. E os preços são ok. (A não ser que a pessoa queira voar da França pra Islândia: custa 1300E). Aí todo dia eu sou lembrada pelo sistema em que me encaixo no momento que há muito tempo eu sonho em morar em um lugar em que eu não precise de um carro pra conseguir chegar no horário.

E não é só o transporte que é mais organizado, pra não dizer melhor. Pagam-se impostos? Sim. Mas pelo menos as pessoas têm algum retorno daquilo que “investem” no seu próprio país. Descobri no final de semana  que na Alemanha é preciso pagar um imposto específico pra ter animais de estimação. Assim todos os bichos são registrados e possuem um chip. Se o seu cachorro se perder, é preciso pagar uma multa por não ter cuidado dele o suficiente. Ou seja, não tem bicho doente, passando fome ou procriando na rua.

Aqui (e lugar nenhum) é a terra das maravilhas. Um exemplo de coisa ruim na França é a  burocracia. Um casal de suecos bem idosos que conheci comentaram que todo mês eles recebem, pelo correio, as receitas dos remédios de uso contínuo subsidiados (inteiramente ou não) pelo plano de saúde do governo. Aí recebe o papel, compra o remédio, devolve o papel com a assinatura da farmácia, vem outro papel de confirmação, manda pro plano de saúde, e assim vai. São três idas e vindas todo mês pra cada remédio que a pessoa toma. Não é uma coisa terrível, mas eu precisava falar de algo ruim, né? Certamente existem coisas mais complicadas e mais nocivas do que isso, mas até o momento foi a informação mais relevante que recebi.

E sim, eu continou querendo ficar por aqui mais um tempo. Quem sabe eu não tô de volta rapidinho?

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