Degustando vinhos franceses

When in France, do like the french do. Alguns hábitos franceses não me agradam nem um pouco e por isso essa frase não pode ser levada muito a sério. No entanto, o hábito de beber suco de uva fermentado, ou vinho,  me agrada bastante. Sendo assim, aproveitei a oportunidade e participei de uma aula de degustação de vinhos da Alsácia, região da França que abriga Strasbourg e várias outras cidades.

As cepagens ou os tipos de uva da região são as seguintes: Riesling, Sylvaner, Pinot Gris, Pinot Blanc, Gewurtztraminer, Muscat e Pinot Noir. Também típico da região, o vinho frisante Cremant é uma mistura (ou assemblage) de Pinot Blanc e Chardonnay. Não foi possível provar todos os vinhos citados, mas deu pra conhecer alguns que eu não conhecia ainda, como o Gewurtztraminer. O nome é alemão, é claro.  É um vinho que, segundo o “professor”, combina bem com queijos mais fortes como qualquer bleu e Munster e com comidas apimentadas. Esse foi o que eu menos gostei por ser bem doce e frutado.

Durante a degustação também foi possível beber um Riesling levemente gelado combinado com queijo chèvre, vinho rosé Pinot Noir com paté en croûte e Pinot Noir com uma coisa muito sensacional: paté feito com carne de porco defumada e pain de epices, que é tipo gingerbread. O “pão” faz parte do paté e eu, que não sou nada chegada na carne de porco, achei incrível. Comi três generosos pedaços. Além de beber e comer, a aula trouxe várias dicas e informações em geral sobre vinhos:

>> Um vinho de 12% de volume alcoolico congela a -12C. E essa relação vale pra qualquer bebida alcoolica. >> Vinhos considerados secos possuem menos de 4g de açúcar por litro.

>> Vinho do porto não foi inventado pelos portugueses, e sim por ingleses apaixondos pelos vinhos de Portugal.

>> Ao comprar um vinho frisante na garrafa vai estar escrito millésime ou non-millésime, o que seginifica que duas ou mais safras das uvas foram misturadas (millésime) para fazer aquele espumante. Isso não acontece com vinhos “tranquilos”, termo utilizado pra definir os vinhos não frisantes.

Bonne week-end!

Informações e fotos aleatórias da viagem

Tá faltando tempo pra organizar as ideias e escrever algo decente sobre algum tema específico. Aí resolvi simplesmente jogar aqui algumas informações e fotos aleatórias contando um pouco da minha vida no velho continente:

>> Faz mais de um mês que não entro em um carro. E desde que cheguei aqui a única vez que vi televisão foi num sábado a noite, por uns 40 minutos, um programa de comédia de improvisação. Em francês, é claro. Foi engraçado e ao mesmo tempo deprimente porque era um sábado.

>> Meus colegas no curso em Lyon eram dos seguintes países: Canadá, Austrália, Brasil, Madagascar, China, Taiwan, México e Itália. Além deles, também conheci gente da Polônia, Palestina, Costa Rica, Inglaterra, Ilhas Maurício, Espanha e Rússia. Já em Strasbourg, os amigos que fiz até agora são de Kosovo, Suécia, França, Ucrânia, Colômbia, Alemanha, Austria, Polônia, Estados Unidos, Tunísia, Coréia, Espanha, Romênia, Georgia e Israel. Ufa.

>> Comentei outro dia no Facebook o preço de algumas coisas. Enquanto um esmalte custa em torno de R$2 no Brasil, se eu comprar na França o valor convertido fica em torno de R$9. Roupas são mais baratas. Comprei, por exemplo, um vestido de 7E (R$21) e uma blusa por 6E (R$18). Dá pra comprar calça jeans boa e bonita por  20E (R$60) tranquilamente. Segundo meu vizinho, na Alemanha comida e produtos de beleza são mais baratos que aqui. Aguardo ansiosamente minha ida pra lá.

>> Strasbourg tem muito mais turistas que Lyon e também a comida é mais cara, principalmente em restaurantes. Acredito que as duas coisas estejam relacionadas, mas não posso confirmar. Em geral, em Paris e em Lyon, nas poucas vezes que comi em restaurantes, paguei em torno de 11E. Em Strasbourg é difícil fazer uma refeição por menos de 16E.

>> Todo mundo sabe que tem calefação em tudo que é lugar por aqui. O problema é que tá fazendo 36 graus e os lugares não possuem ar-condicionado. Europa, você precisa se adaptar ao aquecimento global.

* A primeira foto é de Lyon. Todas as outras foram tiradas em Strasbourg.

 

 

Música para o domingo: The Darkness – With a woman

Tá sendo difícil escrever no blog todos os dias. Além de ter aula e atividades o dia todo de segunda a sexta, eu também preciso matar a curiosidade sobre a cidade e fazer os temas de casa (me sinto na 5a série).

Então, rapidinho, antes de arrumar as coisas pra ir pro lago fazer churrasco (eu conto sobre isso depois), fica aqui uma música que me acompanhou ontem enquanto eu ia pro parque:

The Darkness ❤ ❤ ❤ ❤ ❤

Os primeiros dias em Strasbourg

Já falei e repeti por aqui: me apaixonei por Lyon. Isso não é nada ruim porque a cidade merece todo esse meu amor, o problema é que agora Strasbourg me parece meio… blé. O pouquíssimo que vi da cidade até agora é muito bonito, cheio de influências da arquietura alemã e aqui tem rios e canais cortando a cidade toda. De qualquer maneira não deu pra sentir aquela emoção ainda, sabe? Ainda mais depois de toda a confusão que foi me instalar na cidade.

Strasbourg é a capital da União Européia então é cheia de diplomatas e pessoas importantes no meio político (blé). Isso dá à cidade um ar todo pomposo, quase cheio de si. Não sei por que, mas é isso que sinto. Ainda assim, a arquitetura aqui é encantadora: uma mistura de prédios do século XI, construções da época medieval, casas que misturam os estilos alemão e francês e prédios imponentes modernos, como o que abriga o Conselho Europeu.

Hoje fiz um passeio de barco pelos arredores do centro da cidade. Deu pra ver alguns pontos importantes que preciso visitar. Também descobri, passeando com uma colega, uma igreja que é metade católica e metade protestande. Meio doido, não?

Duas coisas que fazem Strasbourg ganhar pontos positivos se comparada a Lyon: tem transporte público de madrugada em quintas, sextas e sábados e a cerveja é mais barata.

Como se faz um chapéu?

Acho chapéu um acessório muito elegante e, sempre que vejo fotos antigas em que itens como este são comuns, acho que as pessoas deveriam investir mais em enfeitar a cabeça. Na última terça-feira visitei um museu de chapelaria em Chazelles, uma cidade francesa conhecida pela tradição na produção de chapéus.

O processo de fabricação é muito interessante e começa com a chegada dos pêlos de coelho, material essencial na produção dos chapéus de feltro. Aqui vem uma informação curiosa: sim, é preciso matar os bichinhos para retirar a matéria-prima, porém o uso do material na produção de chapéus aconteceu porque a pele e os pêlos do animal sobravam nos matadouros, já que a carne é muito apreciada por aqui. Ou seja, dá na mesma que usar o couro do boi para fazer sapatos e comer um churrascão no domingo.

O processo de feltragem da lã é bem complicado, já que exige água quente e vapor o tempo todo. Parte é feita à mão e para o restante usam-se máquinas. Depois desses processos o material fica tão compactado que fica praticamente impermeável. Todos os chapéus começam como um “bell”, ou sino. É o material feltrado em um formato de cone, similar a um sino, que depois pode ser transformado em diversos formatos de chapeu. Atualmente não existe nenhuma empresa na França que produza os bells, são todos importados de outros países europeus.

Pra transformar o formato inicial nos acessórios para a cabeça usa-se novamente vapor e moldes de madeira (e as mãos). Depois é só aparar as bordas e colocar fita ou outro tipo de enfeite e o chapéu tá pronto pra deixar qualquer look mais glamuroso.

Uma história de amor

Eu nem ia comentar pelo simples fato de que é difícil de assumir um sentimento como esse. Só que não dá mais pra esconder: eu estou completamente apaixonada por Lyon. Mesmo dormindo em um quarto-forno, em um alojamento estudantil com umas regras meio malucas, usando um banheiro do tamanho de uma caixa de fósforos, eu amo Lyon.

Paris é legal, Lyon é sensacional. É uma cidade muito grande com o espírito de uma cidade mais compacta. Tem muitas atividades de todos os tipos: eventos culturais, exposições, feiras, festas (fui numa balada ontem, segunda-feira!). Tem aquele jeitinho europeu de ser, com prédios antigos e encantadores. Tem DOIS rios no meio da cidade. Tem uma “praia” aqui do lado. Ah….

Eu já contei bastante sobre Lyon em outro post, mas eu precisava compartilhar meus sentimentos. E também dizer que Lyon é tão sedutora que todos os meus colegas de curso também estão apaixonados. Tô tentando ignorar completamente o fato de que domingo é meu último dia (por enquanto) nessa cidade maravilhosa.

Música para o domingo: Modern Love – David Bowie

Fui assistir Frances Ha* no cinema aqui em Lyon e essa música é o tema principal do filme. Desde então ela grudou na minha cabeça.

 

* O filme é ótimo, galera!