O encanto da Hermès

Visitar a Hermès é como pisar no mais tradicional solo do mercado de luxo atual. Afinal, é uma marca que tem muito controle sobre toda a obra prima utilizada em seus produtos, é muito exigente com a  qualidade do que faz e não se preocupa em seguir tendências. Eu diria que é um clássico atemporal, já que todos os produtos são feitos pra durar  uma vida inteira. O grupo do  curso que estou fazendo teve o prazer de ser recebido no setor de produção de lenços da Hermès para uma explicação completa de como acontece o processo, desde a criação do design de um lenço até seu encaminhamento pras lojas. Foi fantástico, principalmente pelo fato de eu ter, até então, pouco conhecimento da industria têxtil.

Hermès

Atualmente, a Hermès trabalha com 40 designer que desenvolvem os desenhos para os lenços e estes podem ser aplicados em todos ou somente um dos tamanhos com os quais a marca trabalha. O desenho nunca é alterado, mas a Hermès possui coloristas que criam as cartelas de cores de cada coleção. Aí sim, a marca utiliza o direito de alterar todas as cores do desenho caso ache necessário, já que essa combinação é de fundamental importância porque são somente elas que aparecem quando um lenço é usado dobrado ou amarrado.

Grande parte dos fios naturais de seda usados para produzir os foulards da Hermès vem do Brasil, como eu já tinha comentado antes. Na França, eles são transformados em fios propriamente ditos e depois em tecido. Na fábrica, que fica na região metropolitana de Lyon, os lenços recebem a serigrafia, os banhos de tratamento das cores e do tecido e são selecionados pelo controle de qualidade. Depois disso seguem para costureiras que cortam e finalizam as extremidades dos lenços e depois volta para a fábrica para uma última passagem pelo controle de qualidade e aí sim são encaminhados para as lojas.

Hermès

É claro que na visita de duas horas ficamos sabendo de muito mais detalhes, mas contar tudo aqui não faria jus a todo o encanto que a marca instiga. Infelizmente ninguém saiu de lá com um lenço ou uma Kelly de brinde :/

Lyon, just Lyon

Depois de passar dias andando de um lado pro outro da cidade, passar uma manhã e uma tarde dentro de uma sala de aula foi mentalmente cansativo. Nem por isso menos interessante. Mas confesso que senti falta de continuar descobrindo Lyon. Pensando sobre o assunto, me dei conta que falei algumas coisas sobre a cidade, mas não muito.

Lyon é a segunda maior cidade da França, sendo Paris a maior. Lyon também fica em segundo lugar em cidade universitária, sendo Grenoble o principal destino dos estudantes. A cidade é cortada por dois rios, o Rhône e o Saône, e o Canal de Jonage. Lyon também é a localidade”chefe” da região chamada de Rhônes-Alpes e em dias claros e de céu muito limpo, dá pra ver os Alpes de alguns pontos altos da cidade.

Genebra é tipo aqui do lado, são 160 km até lá. A distância até Paris, por exemplo, é de 470 km. Lyon vive da indústria têxtil e de duas outras que surgiram junto com essa: a química e a mecânica. Dentro desses ramos de negócio a cidade é reconhecida como local de surgimento de nova tecnologias e produtos.

Fora isso eu teria que começar a dar as minhas dicas da cidade, mas ainda acho muito cedo. Preciso descobrir um pouco mais pra contar como é a minha Lyon. Em breve!

Por enquanto, uma coisa bizarra que vi por aqui: essas coisas de bater na porta. São mãos penduradas!!!

Lyon, dia 6

Então hoje foi o primeiro dia de aula na Université de la Mode de Lyon. A aula foi na verdade um passeio, andamos por alguns pontos da cidade e um guia contou sobre a história da produção de seda em Lyon e na França, indicando os bairros e os locais onde os trabalhadores do ramo se estabeleciam e moravam. Uma pessoa importante no mercado da seda e no desenvolvimento dele, não só em Lyon, tem uma estátua no meio de uma praça na região chamada de croix-rousse: Joseph-Marie Jacquard. Sim, o que emprestou o nome pra uma padronagem de tecido. O cara é meio gênio da tecelagem e inventou um sistema de programação das máquinas, otimizando o trabalho. É tipo um sistema binário, só que de 1801! E sim, a criação dele influenciou no desenvolvimento da computação. Legal, né?

Ainda sobre a história da seda, visitamos o L’Atelier de Soierie, onde se usam processos manuais pra criar lenços estampados. Sabiam que o Brasil é um dos maiores fornecedores de bicho da seda do mundo? Eu sabia, mas né… não custa nada contar pra vocês.

Durante o passeio/aula paramos em frente a um clube de jazz e, enquanto o guia explicava como o bairro era cheio de cafés voltados para o teatro e bares, o dono nos convidou pra ver a banda ensaiando.

Balancei o pezinho.

Lyon, dia 5

Acho que de tanto dormir ontem de manhã não tive sono à noite e dormi mal. Mas isso não me impediu de acordar as 7:30 num domingo pra encontrar minhas colegas (uma gaúcha e uma italiana) pra ir no Les Puces du Canal, o mercado de pulgas. É longe, demorou pra descobrir como chegar lá e, chegando lá, o troço era terrível. Ou fomos no lugar errado ou as informações sobre esse local não esclarecem muito o que ele é. Era como um mercado público de frutas, vegetais e etc e muitas, mas muuuuitas banquinhas de roupas e bolsas made in china. Sério, a gente ficou com medo. Parecia um mercado de mercadorias que caíram de caçamba de caminhão, sabe? Fomos embora bem rapidinho.

Update: Descobri agora que fomos no lugar errado, =/

Em busca de uma feira de artigos vintage e afins, acabamos indo em outras três dessas feiras de rua. Todas elas muito mais amigáveis que a primeira, mas não tivemos sorte. Só encontramos bancas de livros antigos e peças de arte de vários tipos. Nada de bolsas Chanel de segunda (ou terceira) mão.

Nessas andanças todas consegui fotografar mais igrejas e também encontramos lugares incríveis. Eu tenho quase certeza de que já vi Lyon de todos os ângulos possíveis. Olha só a vista de uma praça no 1er arrondissement:

Também encontramos, em uma outra praça, um pessoal muito animado dançando. Era o Clube de Charleston de Lyon. Quando chegamos eles tavam mandando ver no Lindy Hop:

E, pra terminar a nossa jornada, fomos no Institut Lumière, a casa onde a família Lumière morou e que hoje abriga um museu. É fantástico! Conta a história da família, da invenção do cinematógrafo, da fotografia colorida, de como o cinema se espalhou pelo mundo e muito mais. Recomendo a visita.


Dans la Rue du Premier Film

Liberté, egalité, vinagré

E vocês pensando que eu tava perdendo a muvuca aí no Brasil, né? Cheguei na praça principal de Lyon hoje, por volta das 16h, e olha só o que eu encontrei:


Eu nem ia sair hoje porque acordei doente. Passei a noite com febre e resolvi ficar na cama até a hora que não aguentasse mais. Levantei em torno das 13:30 e fiquei ponderando: saio ou não saio? Óbvio que não aguentei ficar no meu cubículo quarto. Resolvi não ir longe e voltar às ruas cheias de lojas no centrão da cidade, já que é super pertinho. Menos cansada e muito mais paciente, hoje sim prestei atenção nas vitrines, entrei nas lojas, provei roupas e tomei um sorvete. Alô padarias, confeitarias, sorveterias e afins do Brasil: quando caramelo salgado vai passar a ser um sabor comum? É tão delicioso!

Caminhando por algumas ruas secundárias do centro encontrei Minas Moria mais uma igreja. Na verdade eu nem tô contando as igrejas que vejo pelo caminho, só vou fotografando. Tô fazendo uma série de fotos das fachadas e depois publico todas elas juntas. Dá só uma olhada se eu não tava na Terra Média:

Aqui não tem goblins nem Balrog, ufa! / Run, you fools!

* O título saiu de um desses cartazes lindos.

Carrossel

Só em dois bairros eu já vi três carrosséis (?). Só tirei foto de um, que é o carrossel mais legal que eu já vi:

Aqui o motivo, ó:

Lyon, dia 3

Desde o momento que cheguei no meu quarto e olhei pela janela eu vi esse prédio. Impossível não identificá-lo como uma Igreja. Daí eu, que não gosto de ir em igrejas, fiquei encantada e queria ir lá no mesmo momento. Vai dizer que não dá vontade de visitar?

Fourvière da minha janela
Pois hoje eu fui! Pra chegar lá é preciso pegar o funiculaire (funicu-lí, funicu-lá). Funiculaire = bondinho.

Funiculaire
Esse lugar da foto lá em cima se chama Faurvière e no prédio ficam três igrejas e um museu de arte religiosa. Um dos locais de missa fica naquela porta grande mesmo, outro à direita do prédio. Por último, naquela entrada (de caverna) abaixo da porta principal fica mais um dos “templos” e este faz parte dos Caminhos de Santiago de Compostela.

Fourvière
Esse complexo, Faurvière, fica na Vieux Lyon, ou a cidade velha. Andando por lá eu lembrei de Genova: aqueles prédios todos grudados, ruas minúsculas, vielas, escadarias, etc. Lá também tem um antigo anfiteatro romano, me pareceu bem bonito mas eu precisei desistir de visitar pra comer e descansar um pouco. Talvez eu volte lá outro dia.

Vielas de Lyon
Na volta eu resolvi fazer o caminho a pé e passei pela principal rua do centro de Lyon, aquela clássica onde tem lojas das redes mais famosas da Europa. Nem precisei resistir às tentações porque nada me chamou a atenção. Deve ser o cansaço. Antes disso, parei numa praça, deitei na grama e dormi uns belos 15 minutos. TE AMO EUROPA POR NÃO ME JULGAR.

Ah, eu fiz um amigo.

Gato gordo