Uma declaração de amor

Há uns três anos atrás minha mãe veio dizer tchau antes de partir para um final de semana na praia. Eu praticamente não conseguia falar, tentando sem sucesso segurar as lágrimas. Não, eu não me emociono com um final de semana sem meus pais. Era meu cachorro que estava doente.

A veterinária sempre disse que ele era estressado por não sair na rua, por passar pouco tempo interagindo com a família. Se é verdade, não sei. Mas lembro que isso aconteceu quando o quadril dele tinha uma ferida enorme, em carne viva, começando a infeccionar. Ele mesmo se mordia, cada vez mais, piorando a situação. Quando eu vi o estado que ele se encontrava eu entrei em choque e passei algumas horas soluçando sozinha em casa.

Ele foi tratado e se curou, apesar de algumas vezes após esse caso ele ter se mordido no mesmo lugar, mas nunca com tanta vontade. Algum tempo depois desse acontecido ele começou a não conseguir mais segurar o xixi quando alguém chegava em casa, dando sinais de velhice. Um dia eu cheguei e ele tava ali me esperando, deitado no tapetinho em frente a porta da garagem. Olhei praqueles olhos esverdeados, joguei minhas mãos nas orelhas e no pescoço dele,e naquele momento pensei: a barrinha de vida do Spot tá acabando.

Spot

Agora, neste exato momento, ele tá deitado no pátio. Enxergo ele pela janela da cozinha enquanto eu e minha mãe tomamos conta da louça do jantar. (Não, não faltou louça e ainda assim eu resolvi escrever). Ele tá deitado na grama, no mesmo lugar que se encontrava quando cheguei em casa às 12:30 de hoje. Com muita dificuldade, ele se move alguns centímetros pra um lado ou pro outro, já que desde terça-feira não consegue mover as patas traseiras.
Ainda tem exames pra fazer e temos resultados pra receber, mas ao que tudo indica, ele nunca mais vai conseguir se manter nas quatro patas novamente. A nossa única esperança é que ele esteja bem o suficiente para que uma cadeira de rodas canina faça os últimos anos da vida dele mais fáceis.

Apesar disso, eu assumo que nos últimos dias só me passa pela cabeça o dia em que vamos ter que tomar a triste decisão de mandá-lo para aquela fazenda cheia dos cachorros que nós já tivemos e que ele possa fazer amigos e conquistar todas as cadelinhas do céu canino. E dói demais. A “pessoa”pra quem eu mais disse “eu te amo” nessa vida tá me deixando. E por mais que isso seja muito difícil, eu quero que ele fique de rabinho abanando, seja do meu lado ou em um lugar distante, fora do meu alcance.

Spot

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